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Ivone de Sousa

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Existem atualmente apenas duas mulheres no Brasil que podem ser consideradas expert em charutos. Uma delas é Ivone de Sousa. A importância desta nova profissão - que desponta fresquinha no mercado -, a de Consultor de Charutos, pode ser percebida em situações quando, por exemplo, o charuteiro sabe que existe no mercado o Dona Flor, custando em média de R$ 8,00 a R$ 13,00 e, dependendo da pessoa que atendê-lo, pode ser adquirido por até R$ 30,00. Além da habilidade de autêntica connaisseur da arte da tabacaria - às custas de muito estudo, ela frisa - esta consultora também agrega valores muito subjetivos e fundamentais para a carreira: charme, encanto, beleza, sofisticação e simpatia. Além de alguns "causos" engraçados ocorridos no exercer de sua profissão - ela lida essencialmente com homens e também com os ciúmes de suas mulheres --, Ivone poderia falar, entre outros assuntos, sobre o perfil do charuteiro: ele gosta muito de freqüentar locais onde há pessoas que possam dar muita atenção e também - lógico - um espaço agradável e nunca abafado. Geralmente, quando o charuteiro procura o seu charuto habitual e o mesmo se encontra em estoque, Ivone logo ouve a frase "confio em você".

       A bebida da moda atualmente para acompanhar um bom charuto é o Rum Bacardi 8 anos. Ivone costuma também presentear seus clientes sempre com um mimo que pode ser uma bela gravata ou ainda um isqueiro adequado, dependendo do local onde está trabalhando. O público charuteiro tem se tornado bastante eclético nos últimos anos. Mas este não é um hobby dos mais baratos. Com a recente alta do dólar fica difícil, por exemplo, vender um Cohíba, que custa em média R$ 65,00. Mas Ivone já chegou a vender durante sua carreira de 30 a 40 Cohibas por noite. Ao contrário do que muita gente imagina, muitos charuteiros não são fiéis a nenhuma marca, ao contrário da fidelidade das pessoas em uma marca de cigarro por exemplo. A freqüência de um charuteiro em uma charutaria ou clube do Whisky chega a ser até três vezes por semana e eles costumam degustar de três a quatro charutos por noite. Outra curiosidade é o aumento de demanda por parte das mulheres. "Geralmente os homens vêm sozinhos na primeira noite mas, já na segunda vez, eles trazem esposas e namoradas para que elas os acompanhem". Ivone conta que a situação é engraçada pois à primeira vista a mulherada fica inibida. "Depois elas se soltam, voltam muitas vezes desacompanhadas dos maridos e ainda trazem mais amigas para o clube". Ivone costuma ensinar às mulheres itens que vão desde como acender um charuto até dicas para segura-lo com charme e elegância. Além disso, existem marcas de charutos mais finas e muitas mulheres começam com estes.

       Segundo Ivone, os charuteiros de plantão são pessoas estressadas ou até mesmo as muito calmas. "O charuto serve para diminuir a ansiedade do dia-a-dia, pois ele não é tragado e por isso não vicia. O que não existe é aquela coisa de fumar com pressa, característica dos viciados em nicotina... Regra número um: um bom charuto deve ser saboreado com calma", complementa. Os países que mais consomem charutos pela ordem estão: Cuba, República Dominicana e Brasil. Os clientes mais fiéis a Ivone sempre a acompanham onde ela estiver e, ao longo da suas experiências, os charuteiros já se acostumaram a falar sobre as esposas, filhos, a empresa onde trabalham e acabam ficando amigos e até confidentes.

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         Você sabe o que é o charuteiro durão? Se você pensa que é aquele que não tem dinheiro, está enganado. No caso, charuteiro durão é "aquele que compra o charuto mais caro e não deixa você fazer nada, ele acende, corta, fura, faz tudo". Têm aqueles também que não bebem mas, em compensação, tomam até 15 cafés sem açúcar enquanto degustam apenas um charuto. Em relação ao hálito, já existem balas no mercado para resolver este problema. "Com tantas mulheres que já frequentam o clube, é muito possível que pinte um clima de paquera no ar, não é mesmo?". E, é claro, beijos com hálito de charuto não costumam ser muito agradáveis. Ivone conta também que várias vezes clientes perguntaram se ela teria o charuto da Mônica Levinsky. Ivone tira isso de letra, sorri e muda logo de assunto. Claro que, como em todas as profissões, esta também tem os seus percalços: existem clientes que bebem demais e ficam chatos e inconvenientes. Mas, mesmo assim, Ivone diz que faz o que mais gosta e não trocaria sua profissão por nada no mundo, pois é muito compensador conhecer e trocar idéias com pessoas de várias culturas.

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